terça-feira, 6 de março de 2012

Flor de Liz



Na perspectiva da Suprema consciência (ou "inconsciência", se preferir... uma vez que não há nada ausente - "do lado de fora" - dela mesma, para que possa ser conscientizado... tão somente a inefável e escandalosamente incompreensível unicidade plena e absoluta...), nada está acontecendo. Bem, enquanto isso, o "show" deve continuar "cá embaixo". Talvez a origem de toda essa dramaturgia à nossa volta esteja relacionada ao "desejo" (?) da Causa Ancestral (nomes e mais nomes...) de expressar diversidade, inclusive a sensação de encanto consigo mesma, com todas as suas implicações. Desnecessário dizer que essa "auto-limitação" (que aparentemente fragmenta e individualiza o indivisível...) que A Fonte "impõe" (?) a Si mesma, estabelece os quadrantes dessa tela infinita na qual desenrolam-se todos os roteiros. Ainda que o processo não pareça lá muito democrático (postular o contrário me parece metafisicamente insustentável), é menos desolador, e até reconfortante, acreditar que temos um papel de certa relevância na economia cósmica... ainda que esta função se limite a escrever especulações enviesadas que nem essa (bom, cada um inventa a sua forma particular de legitimar e dar algum significado à sucessão de sonhos, imagens, registros, desenhos, sensações, impressões que parecem acontecer "do lado de fora"...). A mente, ao debruçar-se sobre si mesma, invariavelmente chega a conclusão de que não pode compreender tudo (ou nada...), inclusive ela (?) mesma... O Coração (fora da poesia não há redenção), esse sim, a tudo percebe, entende, transcende, compreende... Vejo todo o Universo em uma Flor... de Lis...
Hindy Carvalho (de Lis...)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eterno em mim...



Não há nada no mundo que possa fazer
Eu deixar de cantar ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo, nem nunca haverá
De mais alto ou mais fundo
O meu canto é meu céu e você é meu mar
Duas coisas que dentro de mim
Não podem ter fim
Dois azuis no mesmo azul
Meu horizonte
Sem nuvem nem monte
Em mim o eterno é música e amor

Eu deixar de cantar ou deixar de gostar de você
Não há nada no mundo que possa fazer...

Caetano Veloso

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Guardador de Rebanhos


Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.