domingo, 5 de maio de 2013

O Convite de Oriah

Tcheramói

"Não me importa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer seus anseios do seu coração.
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.
Quero saber se você consegue conviver com a dor,a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.
Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria,a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas,que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu,e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!"
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia."

( Oriah Mountain Dreamer )

sábado, 23 de março de 2013

A Estrela do Mar



 A ESTRELA DO MAR

Um Pequenino Grão De Areia
Que Era Um Pobre Sonhador
Olhando o Céu Viu Uma Estrela
E Imaginou Coisas De Amor

Passaram Anos, Muitos Anos
Ela no Céu e Ele no Mar
Dizem Que Nunca o Pobrezinho
Pode Com Ela Encontrar

Se Houve Ou Se Não Houve
Alguma Coisa Entre Eles Dois
Ninguém Soube Até Hoje Explicar
O Que Há De Verdade
É Que Depois, Muito Depois
Apareceu a Estrela Do Mar
(M. Pinto)

É isso, de tanto sonhar, amar e acreditar, uma hora as coisas acontecem!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Assim nasce o amor...


Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração, 
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.
O amor não pode nascer nem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando
Dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes
Verdadeiros, o amor é bondade perfeita,
Oriunda - ninguém duvida - do coração e dos olhos;
Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece;
Amor, fruto da semente pelos três plantada.

Guiraut de Borneilh (Circa 1138 -1200?)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A Dança

Imagem: Sam Carlo


 "A Dança" 
de Pablo Neruda

Não te amo como se fosses a rosa de sal, topázio
Ou flechas de cravos que propagam o fogo:
Te amo como se amam certas coisas obscuras,
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Antes de amar-te, amor, nada era meu:
Vacilei pelas ruas e as coisas.
Nada contava nem tinha nome.
O mundo era do ar que esperava
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se dependiam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo.
Caído, abandonado, decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio.
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Amado



Oh meu Amado!
Leve-me
Liberte minha alma
Me preencha com seu amor
e liberte-me dos dois mundos.
Se eu colocar meu coração
Em algo mais que não você
Oh fogo, me queime por dentro!
Oh meu amado
Leve tudo o que eu quero
Leve tudo o que eu faço
Leve tudo
e leve-me para você.
Eu nada sei sobre os dois mundos -
Tudo o que eu sei é sobre o Uno -
Eu busco apenas o Uno,
Eu conheço apenas o Uno,
Eu encontro apenas o Uno,
E eu canto apenas o Uno.
Estou tão embriagado
no vinho do Amado
que os dois mundos
escorregaram para fora do meu alcance.
Agora não tenho mais negócios aqui
Apenas alcançar o copo do meu Amado.
O Amante está embriagado de amor;
Ele é livre, ele é louco,
Ele dança em êxtase e delícia.
Preso por nossos próprios pensamentos
nos preocupamos com cada pequena coisa.
Mas quando nos embriagamos neste amor,
Aquilo que tiver de ser será, será.
Meus olhos vêem apenas a face do Amado.
Que gloriosa visão,
pois esta visão é amada.
Por que falar em dois? -
O Amado está na visão,
e a visão está no Amado.
[...]
Sua doce água limpou minha alma
e removeu toda a tristeza
Agora estamos unidos em perfeita união.
Eles dizem que o amor abre a porta
de um coração para o outro;
Mas se não existem paredes
como poderá haver uma porta?
Quando você dança
todo o universo dança.
Que maravilha eu vi
e agora não posso virar minha face!
Leve-me ou não
as duas coisas são a mesma -
Pois enquanto houver vida neste corpo,
eu sou seu escravo.
[...]
Seu amor me preencheu
com uma loucura
que ninguém jamais pode conhecer.
Contemplá-lo preencheu meu coração
com um poema
que ninguém jamais poderá escrever.
[..]

Rûmî

domingo, 30 de setembro de 2012

Amor Pacífico e Fecundo

 

Amor Pacífico e Fecundo  


Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"