quinta-feira, 29 de julho de 2010

Deixe o amor...


Deixe o amor banhar a sua alma,
e com ele, o milagre da multiplicação,
que renova, limpa e acalma.
O amor é uma oração.
Com o amor, vem o perdão,
e o perdão vai limpando artérias,
retirando o peso das mágoas perdidas,
que de tão antigas, viraram feridas.
O amor vai renovando tudo,
quebra correntes, derruba muros da intolerância,
acaba com os desejos que não saciam, a ganância.
Deixe o amor te levar pela mão,
passar como trator sobre as angústias,
corrigir erros, aliviar o coração.
Deixe o amor te conduzir até outra pessoa,
que te ame e provoque em você uma revolução,
da força dos apaixonados em comunhão.
Deixe o amor te limpar dos pés a cabeça,
desaparecendo com o orgulho, eliminando doenças,
dando alta para você seguir viagem, sem desavenças.
Deixe o amor te mostrar os passos na areia.

Autor desconhecido

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Passagem das Horas




Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
[...]
Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.
[...]
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

[...]
Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.
[...]
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —
Todos são a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.

Fernando Pessoa

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Guardador de Rebanhos


Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)
Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.
E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.


Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…
Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!


Fernando Pessoa - Escrito em 1911-1912

Assista o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=lDISPn3sSpY

O Universo e Eu


"No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se
põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso
favor. Como resultado da atitude, seguem todas as formas imprevistas
de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum ser humano jamais
poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou
sonhar, você pode começar.
A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia.”

Goethe

Saudades....


"Não sei se saudades tem cor. Dizem que sim.
O que eu sei é que ela tem forma, tem gosto, tem cheiro e peso também.
E, acredite, ela tem asas! Se não, como nos transportaria, tantas vezes, a lugares tão distantes?
E, sei ainda, que ela se agiganta, quando mais tentamos, diminuí-la.
Sei que ela dói, intensa e sem remédio.
Se não fosse ela, não sei se teríamos consciência do tamanho da importância das pessoas dentro da gente..."
Autor desconhecido

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Quando as fronteiras deixam de existir...



Quando consigo ultrapassar as fronteiras da minha mente empobrecida pelos conceitos limitados do mundo, olho a vida com os olhos da minha alma, e percebo assim, que o Universo não tem início, nem meio, nem fim...
Uma vez deposta essa fronteira da limitação dos meus sentidos, posso ouvir o som da vida pulsando no coração do outro, que por muitas vezes está escondido sob a máscara da conveniência social.
Calmamente, posso me aproximar de um outro ser, percebendo que nele também existe um Universo imerso em sua alma, onde me vejo nos seus olhos e sinto meu coração pulsar no mesmo ritmo que o dele.
A vida se torna mais colorida.
A música se faz. O som é criado pelas linhas da harmonia, que só pode existir quando todos os limites são ultrapassados e deixam de ter um sentido temporal.
O tempo, fronteira do medo, deixa de existir.
Essa é a linguagem da alma. Uma linguagem de liberdade, de luz e de amor, que não conhece distância, nem raça, nem cor e nem credo, mas que vê o princípio em tudo e o todo sendo um só.
A alma não conhece fronteiras. para ela não existe o limite, pois seu sentido de existência, o amor, é tão infinito quanto o próprio Universo.
Sandra Baptista